Conteúdo técnico • Diesel como ativo de confiabilidade

Diesel de boa qualidade: critérios, controle e tratamento

Nesta página reunimos os principais conceitos para avaliar a qualidade do diesel, cuidar do armazenamento e aplicar tratamento corretivo quando necessário. O foco é conectar especificação, prática de campo e impacto direto na confiabilidade de motores e geradores.

1. O que caracteriza um diesel de boa qualidade?

Um diesel considerado “bom” não é apenas aquele que está dentro da especificação legal. Para fins de confiabilidade, buscamos um combustível que:

Combustão

Propriedades de ignição e energia

  • Bom número de cetano → partida fácil, menor atraso de ignição, menos batidas.
  • Densidade e viscosidade dentro da faixa → energia específica adequada e atomização correta.
  • Ausência de diluição por solventes leves (gasolina, thinner, etc.).
Proteção do sistema

Lubricidade e limpeza

  • Lubricidade adequada (HFRR baixo) para proteger bombas e bicos de alta pressão.
  • Baixa contaminação sólida (partículas) — filtragem eficiente desde o recebimento.
  • Compatibilidade com materiais (mangueiras, vedantes, bombas, etc.).
Estabilidade

Resistência à degradação

  • Boa estabilidade oxidativa → menos formação de goma, borra e depósitos.
  • Baixo teor de água e ausência de “borra” visível no fundo de tanques.
  • Menor tendência a odores fortes, escurecimento acelerado e precipitados.
Ponto-chave: estar “dentro da especificação” é o mínimo. Para motores modernos de alta pressão, vale acompanhar também o histórico do combustível (tendência de água, partículas, estabilidade e microbiologia).

2. Principais problemas que degradam o diesel

Mesmo um diesel que chega da distribuidora dentro da qualidade pode se degradar ao longo da cadeia logística e do armazenamento. Entre as causas mais comuns:

Problema Como se forma Efeito em campo
Água livre e emulsificada Condensação em tanques, falha de drenagem, coalescentes saturados, entrada de chuva em respiros. Favorece microbiologia, corrosão, cavitação em bombas e falhas de injeção.
Contaminação por partículas Poeira em respiros, tanques sujos, mangueiras e funis contaminados, mistura indevida de sobras. Entupimento de filtros, desgaste abrasivo em bombas e bicos de alta pressão.
Degradação oxidativa / borra Estocagem prolongada, alta temperatura, presença de oxigênio, instabilidade de biodiesel. Formação de goma, depósitos, filtros escurecidos e perda de desempenho.
Contaminação microbiológica Água + nutrientes do combustível → biofilme em paredes de tanque e linhas. Desprendimento de “lodo”, entupimento de filtros, aumento de TAN e corrosão.
Adulteração e mistura irregular Combustíveis de origem duvidosa, mistura de solventes, derramadas e reaproveitamento sem controle. Aumento de consumo, falhas de injeção, danos ao motor e risco de segurança.

3. Boas práticas de recebimento e armazenamento

3.1 Recebimento do diesel

Alguns passos simples reduzem drasticamente o risco de problemas futuros:

  • Conferir nota, certificado de qualidade e identificação do lote.
  • Inspecionar se o caminhão chegou lacrado, sem sinais de violação.
  • Realizar coleta de amostra representativa com frascos limpos e identificados.
  • Registrar data, volume recebido, fornecedor e tanque de destino.
  • Evitar descarga em tanques com “borra” visível ou saturados de água.

3.2 Armazenamento seguro

O tanque é parte do “sistema de combustível” e precisa de rotina:

  • Drenar o ponto baixo com frequência (semana/mês, conforme severidade).
  • Usar respiros filtrantes/dessecantes para reduzir poeira e umidade.
  • Evitar tanques constantemente “meio cheios” (mais espaço para condensação).
  • Programar inspeções internas e limpeza periódica dos tanques.
  • Organizar giro de estoque: primeiro que entra, primeiro que sai.
Dica operacional: muito do problema atribuído ao “diesel ruim” está, na prática, ligado à falta de rotina de drenagem e limpeza de tanques. Ter um procedimento simples escrito ajuda a padronizar.

4. Controle laboratorial e tratamento do diesel

O controle por análise de laboratório permite identificar se o combustível ainda está saudável ou se já entrou em zona de risco. A partir daí, define-se a necessidade de tratamento ou descarte.

4.1 O que monitorar no laboratório

  • Água total (Karl Fischer) → indica risco de microbiologia, corrosão e perda de lubricidade.
  • Contagem de partículas (ISO 4406) → verifica eficiência de filtragem e limpeza da cadeia.
  • Lubricidade (HFRR) → proteção de bomba e bicos, especialmente em motores modernos.
  • Estabilidade oxidativa / TAN → envelhecimento, borra e propensão a depósitos.
  • Densidade / viscosidade → suspeita de adulteração ou mistura inadequada.
  • Microbiologia (quando há histórico de lodo e entupimentos recorrentes).

4.2 Como tratar um diesel já comprometido

Quando o diesel apresenta sinais de degradação, algumas ações típicas são:

  • Polimento do diesel (filtragem dedicada, em circuito fechado, com elemento fino + coalescente).
  • Remoção de água livre e drenagem de borra do fundo dos tanques.
  • Limpeza interna dos tanques e substituição de filtros saturados.
  • Aplicação de biocida específico quando confirmada contaminação microbiológica.
  • Em situações extremas, descarte controlado de lotes irrecuperáveis.

5. Diesel e confiabilidade: ligando qualidade a resultados

O combustível não é apenas um “insumo de consumo”, mas um componente do sistema de confiabilidade. Alguns indicadores típicos para demonstrar resultado:

Redução de falhas de injeção

Monitorar quantidade de reparos em bombas e bicos por mil horas de operação, antes e depois da implantação do controle de diesel.

Vida útil de filtros

Registrar horas até entupimento de filtros primário e secundário. Aumento de vida indica tanque mais limpo e combustível mais estável.

Disponibilidade e consumo

Relacionar consumo específico (L/h) e tempo de máquina parada por problemas de combustível com o histórico de análises e intervenções (polimento, limpeza, troca de fornecedor).

Mensagem final: diesel de boa qualidade é resultado de três pilares trabalhando juntos: especificação correta, boas práticas de manuseio/armazenamento e monitoramento por análises. Sem um desses pilares, o risco de falhas caras aumenta significativamente.

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