ISO 4406 na Prática: Metas por Sistema
A ISO 4406:2021 é a norma internacional utilizada para classificar a contaminação sólida em óleos e fluidos hidráulicos. A limpeza do fluido é um dos fatores mais críticos para garantir confiabilidade, reduzir desgaste e prolongar a vida útil de equipamentos industriais e móveis.
Por que o controle de partículas é tão importante?
A contaminação sólida é responsável por até 70% das falhas em sistemas hidráulicos, redutores, transmissões e máquinas lubrificadas. Partículas microscópicas (>4 μm, >6 μm, >14 μm) são suficientes para causar abrasão severa, travamento de válvulas, desgaste acelerado, entupimentos e falhas catastróficas.
A ISO 4406 fornece uma forma padronizada de medir essa contaminação, permitindo definir metas de limpeza adequadas para cada tipo de sistema e acompanhar a eficácia das ações de filtragem, flushing e melhoria de contaminação.
Como ler o código ISO 4406?
O código é composto por três números, como no exemplo abaixo:
• O primeiro número representa partículas >4 μm.
• O segundo representa partículas >6 μm.
• O terceiro representa partículas >14 μm.
Cada código corresponde a uma faixa de quantidade de partículas por mililitro. Quanto maior o número, mais sujo está o fluido — e cada aumento de 1 ponto representa aproximadamente o DOBRO de partículas.
Tabela ISO 4406 – Quantidade de partículas por código
A tabela abaixo mostra a quantidade aproximada de partículas por mL correspondente a cada código ISO. Quanto maior o código, maior a contaminação. Esta tabela é essencial para interpretar laudos e definir metas de limpeza.
| Código ISO | Partículas por mL (faixa aproximada) |
|---|---|
| 12 | 20 a 40 |
| 13 | 40 a 80 |
| 14 | 80 a 160 |
| 15 | 160 a 320 |
| 16 | 320 a 640 |
| 17 | 640 a 1.300 |
| 18 | 1.300 a 2.500 |
| 19 | 2.500 a 5.000 |
| 20 | 5.000 a 10.000 |
| 21 | 10.000 a 20.000 |
| 22 | 20.000 a 40.000 |
| 23 | 40.000 a 80.000 |
| 24 | 80.000 a 160.000 |
| 25 | 160.000 a 320.000 |
Níveis de limpeza recomendados por sistema
A tabela abaixo reúne metas técnicas típicas para diferentes sistemas. A ideia é ter um ponto de referência para definir alarmes, metas de projeto e resultados esperados após ações de filtragem e melhoria.
| Máquina / Componente | Nível ISO recomendado |
|---|---|
| Mancais de Rolamentos | 16 / 14 / 12 |
| Mancais de Bucha | 20 / 17 / 14 |
| Redutores | 19 / 16 / 13 |
| Transmissões | 18 / 16 / 13 |
| Motores Diesel | 19 / 17 / 14 |
| Turbinas | 16 / 14 / 12 |
| Máquinas de Papel | 18 / 15 / 13 |
| Servo-válvulas | 14 / 12 / 10 |
| Válvulas Proporcionais | 15 / 13 / 11 |
| Bomba de Pistões | 16 / 14 / 12 |
| Bomba de Palhetas | 18 / 16 / 13 |
| Bomba de Engrenagens | 19 / 17 / 14 |
| Rolamentos em geral | 16 / 14 / 12 |
Exemplo prático
Imagine um sistema hidráulico cuja meta é 16/14/12, mas o laudo mostra 19/17/14. Isso significa que o fluido contém cerca de 8 vezes mais partículas do que deveria. O resultado pode ser:
- Desgaste prematuro de bombas
- Travamento de servo-válvulas
- Aumento da temperatura do fluido
- Perda de eficiência e aumento do consumo de energia
- Falhas catastróficas em componentes críticos
Como aplicar a ISO 4406 em campo
Para aplicar corretamente a ISO 4406 no dia a dia, é fundamental garantir uma amostragem adequada e interpretar os resultados sempre em conjunto com a meta definida para o sistema:
- Utilize frascos de coleta limpos e compatíveis com análise de partículas.
- Siga procedimentos de coleta (ISO 4021 / ASTM D4057).
- Evite pontos de baixa circulação e drenos onde a amostra não representa o sistema.
- Utilize sempre o mesmo laboratório, quando possível, para manter consistência metodológica.
- Compare o resultado com a meta ISO definida por componente ou sistema.
- Execute flushing e filtração quando os códigos estiverem acima do alvo.
- Monitore tendências ao longo do tempo — base da manutenção preditiva.
Conclusão
A ISO 4406 é uma ferramenta indispensável para quem deseja implementar manutenção preditiva real e reduzir falhas causadas por contaminação sólida. Compreender os códigos, definir metas adequadas e acompanhar tendências permite:
- Aumentar o MTBF (tempo médio entre falhas);
- Reduzir custos de manutenção corretiva;
- Prolongar a vida útil de bombas, válvulas, redutores e rolamentos;
- Aumentar confiabilidade e disponibilidade operacional.
Controlar partículas é uma das maneiras mais eficazes e acessíveis de proteger seus ativos. Quando o fluido está limpo, o equipamento trabalha limpo — e dura muito mais.
A Oil Preditiva ajuda a estruturar programas de análise de fluido, metas de limpeza por sistema e planos de ação (flushing, filtragem, melhoria de pontos de contaminação) para reduzir falhas e aumentar a confiabilidade dos ativos.
